Onde está a justiça ?

Parece ironia, mas não é. Empreiteiros tocantinenses estão sofrendo pesados prejuizos financeiros, provocados pelo poder Judiciário. As empresas foram contratadas para construir obras, fórum, em diversas cidades do interior. Realizaram os serviços mas não conseguem receber. E não sabem como procurar justiça, para receber da justiça. Há um ano, o Tribunal de Justiça suspendeu o pagamento das obras e se recusa a tratar do assunto. Expostas ao tempo, levando sol e chuvas, as obras estão sendo danificadas, algumas até apedrejadas e outras servindo de esconderijo para ponto de drogas. O povo e os empreiteiros estão pagando um preço caro por interesses pessoais e partidários, que envolvem a questão.
Tanto o andamento das obras, quanto o pagamento, foram suspensos com base em investigações na operação Maet, que culminou com o afastamento de quatro Desembargadores, acusados de vendas de sentenças para liberação de presos e títulos precatórios do Governo do Estado. A então presidente do TJ, Wilamara Leila, afastada do cargo, foi quem empreendeu um grande volume de obras para o aparelhamento físico do poder judiciário tocantinense.
Por precaução, tomou-se então, a decisão de suspender os pagamentos e o andamento das obras, até que todas passassem por um criterioso levantamento. O que já aconteceu por parte do Tribunal de Contas do Estado, que não encontrou irregularidade nas obras. Só que, por trás dessa apuração, está acontecendo, também, uma retaliação política contra a Desembargadora afastada, Wilamara Leila.
Gente do Governo, acusam Wilamara de ligações com os empreiteiros, tendo o seu marido João, como o agente dessa operação. João, é verdade, teve uma participação muito ativa na administração do TJ, quando Wilamara o presidia. Ele estava sempre por lá, além de frequentar alguns canteiros de obra. Porém, até o momento, nada de concreto se comprovou contra ele.
Outra acusação contra Wilamara, e essa é a que mais pesa, é a de traição política. O grupo siqueirista não a perdoa por ter votado em Carlos Gaguim (PMDB) para governador do Tocantins. A grande verdade é que Wilamara está pagando o preço de ter armado "pau de dois bicos", ou acendido uma vela para Deus e outra para o Diabo. Wilamara votou em Gaguim, mas ajudou a pagar as contas de campanha de Siqueira Campos. Dos cofres do TJ, saiu dinheiro para pagar a Produtora de Vídeos da campanha.
Embora tudo isso seja verdade, os empreiteiros que prestaram os serviços, nada tem a ver com as manobras político-partidárias , envolvendo o Tribunal de Justiça, o ex- governador e o atual. Eles são prestadores de serviço e fizeram a parte deles.
Também pesa contra Wilamara , as análises feitas pela CNJ, em relação as obras tocados pelo TJ. A ministra Corregedora da CNJ, Eliana Calmon, quando esteve no Tocantins, disse que ficou surpresa de ver um estado novo, pequeno, com tantas obras n o Judiciário. Ninguém reagiu a altura, da bobagem que a Ministra falou. Ora, só pode ter várias obras em estado novo, porque nos velhos, como o dela ( a Bahia), já foram construídos a mais de cem anos.
O que realmente entristece nesse caso, é ver que, no TJ, todos se mantém calados ao descaso que está sendo feito contra os empreiteiros e a população tocantinense. O prejuizo que está sendo causado, vai bater direto no bolso do trabalhador tocantinense, que já mantém os poupudos salários e as regalias do Poder Judiciário. E agora terá de pagar dobrado pelo descaso com que as obras foram relegadas.
Se o preço está acima do correto, prove e chame os empresários e a sociedade para rediscutí-los. Não é construindo uma "caixa preta' e se recusando o diálogo, que o TJ vai zelar bem do que pertence ao povo. É hora da magistratura rever suas posições e dar soluções ao caso, antes que o Tocantns vire novamente manchetes negativas a nível nacional.
É, pois é. É isso ai.
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