Nego do Cabaré criou uma “Zona” enganosa na cabeça de Stalin Bucar

  • 05/Abr/2021 09h40
    Atualizado em: 05/Abr/2021 às 09h43).

*Por Goianyr Barbosa

É fato, se o advogado Stalin Juarez Gomes Bucar decretasse por agora a sua retirada da vida pública, num adeus solene e festivo das disputas por cargos eletivos em evento com a presença numerosa de admiradores e seguidores, entraria, indiscutivelmente, para a história da cidade de Miranorte como o político mais bem-sucedido, o que mais diplomas ergueu nas competições pelas quais concorreu, nas quase quatro décadas de grandes embates. Afinal, foram três mandatos de prefeito, dois de deputado estadual e uma suplência que lhe permitiu o direito de assumir o Legislativo por cerca de seis meses, além dos cargos eminentemente importantes, tais como: superintendente do Ibama GO/TO, presidente da Lotins, do Naturatins e secretário estadual do Turismo. Por outro lado, tido de pavio curto, que não leva desaforo para casa, Satlin legou, durante os períodos em que esteve à frente do Executivo miranortense, obras que impulsionaram o desenvolvimento econômico e social da cidade.

Como parlamentar ou à frente de importantes órgãos públicos, a região deve a ele inúmeras conquistas. Entretanto, apesar de um histórico de serviços prestados a um povo no decorrer de décadas, a partir de 2012 os ventos começaram a soprar em direção contrária, ou seja, na disputa a prefeito daquele ano, o médico Fred Henrique derrotou o filho Stalin Júnior, ficando este na terceira colocação. Na eleição de 2016, um novo revés, ou seja, Carlinhos da Nacional derrota novamente Stalin Júnior por uma margem escassa de 4.38 pontos percentuais. Finalmente, em 2020, o prefeito Carlinhos se reelege, impondo uma derrota impiedosa a Stalin, pai, com 36.23 pontos de vantagem. A eleição, que num certo momento mostrava-se favorável a Stalin, modificou-se no curso da campanha, em razão, sobretudo, das obras de vulto derramadas por toda a cidade no ano das eleições. Lembrando que os recursos federais canalizados para o combate ao coronavírus, permitindo até compras de cestas básicas às pessoas de baixa renda, ajudou a potencializar muitas candidaturas.

O primeiro chamado direcionado ao Ipepe, em Miranorte, para medir o panorama eleitoral na cidade, partiu do médico Cleomar Júnior, ainda no período de pré-campanha, em março de 2020, portanto há 8 meses das eleições. Na ocasião, o médico tinha pretensões de concorrer a prefeito, o que de fato ocorreu. Nesse sentido, três nomes prováveis a disputar o pleito foram levados à apreciação dos eleitores. Pela estimulada, o ex-prefeito Stalin Bucar liderava o processo, pontuando com 53.73% de preferência popular. Na segunda fila, o prefeito Carlinhos da Nacional obteve 22.75% das intenções de voto e, na terceira colocação, Dr. Cleomar Júnior atingia a cifra de 9.41%. O percentual de indecisos era de 7%. Portanto, a vantagem de Stalin para Carlinhos era de 30.98 pontos percentuais. Já a taxa de aprovação da gestão Carlinhos foi assim avaliada: 45.88% mostravam-se satisfeitos com a maneira do prefeito administrar a cidade, enquanto 44.71% reprovavam o modelo administrativo tocado por Carlinhos da Nacional. O percentual dos que não opinaram era de 9.41%. Até aqui, pelos números, o nome Stálin voava em céu de brigadeiro e, de modo contrário, a reprovação administrativa de 44.71% do prefeito por parte da população confirmava a tese de muitos cientistas políticos, ou seja, prefeitos mal avaliados não possuem chances de reeleição. Ressaltando que, naquela fase do processo, o prefeito Carlinhos lançava uma grande frente de obras públicas, a qual contemplava os principais barros da cidade com asfaltamento, além de outros programas de relevância social.

Carlinhos inicia a decolagem; Cabaré confunde Stalin

A segunda sondagem do Ipepe em Miranorte aconteceu no alvorecer de julho e com novidades, ou seja, a queda de Stalin e o súbito crescimento do prefeito Carlinhos. Naquele período, as Mesas da Câmara e do Senado acabavam de promulgar a proposta que adiava as eleições municipais de outubro para novembro por conta da pandemia do novo coronavírus. A pesquisa em questão foi contratada pelo ex-prefeito Stalin. Pelos números aferidos, Stlain ainda liderava com 45.2% de intenções de voto, ao passo que o prefeito Carlinhos possuía 34.52% e o médico Cleomar com apenas 4.63%. Por outro lado, a pesquisa revelou que 63.70% estavam satisfeitos com a maneira do prefeito administrar a cidade contra 31.32% que reprovavam a gestão municipal. Por fim, fora indagado aos entrevistados se o apoio do governador Carlesse para um dos candidatos, ajudava ou atrapalhava. Pelos números, para 37.72% dos entrevistados o apoio do governador ajudava, mas para 24.2% nem ajudava e nem atrapalhava e para 23.13% atrapalhava. Aliás, desta pesquisa para a de março, num lapso de quatro meses, Stalin perdeu 12 pontos e Carlinhos avançou 11.77 pontos na corrida. Na avaliação administrativa, o prefeito cresceu 17.82 pontos e teve queda na reprovação de 13.99 pontos. Na mesa com Stalin, avaliando os dados, uma outra pesquisa de um tal Nego do Cabaré foi-me repassada para um estudo. A princípio, fui direto na metodologia e, para minha surpresa, constava que fora aplicado apenas 100 entrevistas, algo impensável para uma cidade que possui um mercado eleitoral de cerca de 10 mil votantes e uma população de 13.493 mil habitantes. Naquele encontro, não hesitei em alertar Stalin do perigo que o mesmo incorria de estar orientado em dados desprovidos de embasamentos científicos.

Carlinhos é reeleito de goleada

Na última mensuração do Ipepe em Miranorte, no mês de outubro, o jogo eleitoral já estava definido. Os dados revelavam o prefeito Carlinhos com 51.15% das intenções de voto, enquanto o ex-prefeito Stalin estacionava em 22.54% de preferência. Na terceira colocação, com 9.54%, remava o médico Cleomar, que, por sinal, pode ser o grande nome da próxima eleição municipal. O percentual de indecisos, naquele momento, era de 12.50%. A mesma pesquisa avaliou o grau de satisfação da população com a gestão Carlinhos. De acordo com o Ipepe, 67.94% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com o governo municipal, porém 26.34% afirmaram estar insatisfeitos. O governo Mauro Carlesse desfrutava de 42.75% de aprovação popular, e 33.92% de reprovação. Por este levantamento, a vantagem de Carlinhos para Stalin era de 28.61 pontos. Já a avaliação da gestão aumentou positivamente em 4.24 pontos, bem como houve queda na reprovação de 4.98 pontos em relação à pesquisa anterior de julho. Pois bem, na entrega dos resultados, Stalin novamente reprovou os números aferidos pelo Ipepe e resmungou: “Não entendo porque só o Ipepe me traz números tão desfavoráveis”. Em vista disso, deduziu-se que Stalin estava mais confiante e orientado nos números apresentados por Nego do Cabaré. Ora, o eleitor não levou em conta o passado de três mandatos de Stálin como prefeito, além de dois como deputado, ou melhor, o eleitor que aprovou a gestão Carlinhos (67.94%), optou pela permanência dele por mais quatro anos no Paço Municipal. Afinal, ainda se pergunta, como um político de trajetória tão vitoriosa, que tinha a eleição nas mãos até a alguns meses antes do pleito toma uma virada tão acachapante? Confiaram em números apócrifos? O marketing de campanha foi incapaz? Ou os eleitores não desejaram mais continuar com o velho estilo “stalinista” de fazer política? Encerrada a partida, Carlinhos 61.93% dos votos válidos, contra 25.70% de Stalin e 12.37% de Dr. Cleomar.

*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.