Ciência leva o Tocantins ao terceiro lugar na produção nacional de arroz

  • 06/Abr/2021 11h21
    Atualizado em: 06/Abr/2021 às 11h28).

Atualmente com sementes em cerca de 90% da área de arroz plantada no Tocantins, terceiro maior produtor nacional, a Embrapa vem colaborando para o incremento dessa importante cadeia produtiva de valor no estado. O desenvolvimento, em conjunto com instituições parceiras, de cultivares específicas para a região pode ser apontado como uma das principais contribuições efetivas. Se antes o produtor tinha como opções de plantio praticamente apenas cultivares vindas do Sul do Brasil, onde estão os outros dois maiores produtores do país (na ordem, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), nas últimas safras as opções de sementes próprias para o estado aumentaram.

Daniel Fragoso era, até janeiro deste ano, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (GO) e liderava os trabalhos com arroz no Tocantins. Ele fazia parte do núcleo de pesquisa em sistemas agrícolas da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), que envolve pesquisadores de outras Unidades da Empresa que trabalham fisicamente no Matopiba. A sigla refere-se às áreas de Cerrado de quatro estados (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), região conhecida como a última grande fronteira agrícola brasileira e que hoje já é responsável por cerca de 10% dos grãos produzidos no país.

De acordo com Fragoso, que atualmente é chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura, “o Programa de Melhoramento de Arroz (MelhorArroz) da Embrapa busca inovações para a sustentabilidade produtiva e excelência da qualidade do arroz brasileiro por meio do desenvolvimento de novas cultivares. Trata-se de um programa contínuo fomentado pela Empresa, que atualmente conta com apoio financeiro também da iniciativa privada por meio de contrato de cooperação técnico-financeira com empresas produtoras de sementes”. São três empresas privadas parceiras, que anualmente estão aportando R$ 240.000,00 cada durante cinco anos: Uniggel Sementes, Sementes Simão e Brazeiro Sementes. Ao final desse prazo, existe a possibilidade de renovação do contrato por igual período.

Outra parceira no estado é a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), que além do ensino atua na pesquisa voltada para o meio rural, sendo a Organização Estadual de Pesquisa Agropecuária (Oepa) tocantinense. Embrapa e Unitins estão trabalhando na geração de uma variedade de arroz genuinamente tocantinense, a BRS TO, que deverá estar disponível para os produtores nas próximas safras.

A Embrapa oferece para o Tocantins opções de variedades de arroz tanto para o cultivo irrigado – BRS Catiana, BRS Pampeira, BRS A702 CL e BRS A704 –, como para cultivo em terras altas – BRS A501 CL e BRS A502. “No planejamento, é programado o lançamento de uma nova cultivar de arroz a cada dois anos para atender à demanda dos produtores de arroz tocantinenses”, explica o pesquisador. Hoje, a BRS Pampeira está em mais da metade da área de arroz no estado.

O produtor José Luís Venâncio plantou 977 hectares de BRS Pampeira nesta safra 2020/2021. Ele tem boa expectativa quanto ao desempenho da cultivar, mas lembra que isso depende das condições climáticas pelas quais a lavoura passar. “Com relação à cultivar da Embrapa, é uma das melhores que tem no mercado, tem teto produtivo alto, é resistente às principais doenças e tem uma excelente qualidade de grãos. Ponto negativo é que é susceptível a acamamento”, relata.


Os números do arroz no Brasil

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em boletim divulgado em março, a safra de arroz irrigado em 2020/2021 no país deve ser 2,2% menor que a anterior. Isso deverá acontecer mesmo com o projetado aumento de 2,3% na área plantada. A causa da queda na produção é que a produtividade média no Brasil deverá ser 4,3% menor em 2020/2021 na comparação com a safra anterior.

No Tocantins, deverão ser registrados ligeiros aumentos nos três indicadores: 0,3% na área plantada com arroz irrigado; 0,6% na produção; e 0,3% na produtividade. Em números absolutos, a previsão da Conab feita no mês passado indica uma produção de 636,2 mil toneladas numa área de 111,2 mil hectares, chegando-se a uma produtividade média de 5.721 kg/ha em 2020/2021. Esses números são periodicamente atualizados pela companhia, podendo, portanto, ser alterados. (Fonte: Comunicação/Embrapa)