Fim da expectativa sobre impedimento de Carlesse começa a desenhar o cenário para outubro

  • 14/Mar/2022 10h06
    Atualizado em: 15/Mar/2022 às 10h03).

*Por Joana Castro

Encerrou-se na última sexta-feira, 11, mais um capítulo da tenra e conturbada história do estado caçula da federação brasileira. Nascido da luta secular do sofrido povo nortense que sonhava com um Estado próspero e de oportunidade para seus filhos, viu desde os primórdios da sua criação que não seria bem assim.

Passados quase 34 anos da sua criação, o estado tem vivido momentos de instabilidade política com um triste histórico de mandatos interrompidos por renúncias e cassações. Em duas oportunidades, em 1998 e em 2014 o então governador Siqueira Campos renunciou ao mandato, enquanto Marcelo Miranda teve os mandatos cassados em 2009 e 2018. A última vez que um governador escolhido pelo povo através do voto direto a concluir o mandato, foi entre 2003 e 2006, na primeira gestão de Marcelo Miranda.

O último capítulo dessa triste história foi escrito por Mauro Carlesse. Ele chegou ao Palácio Araguaia pela primeira vez em 2018, após a segunda cassação de Marcelo Miranda. Então presidente da Assembleia Legislativa, Carlesse assumiu interinamente o Governo do Estado e depois foi efetivado no cargo para concluir o mandato numa eleição suplementar. No mesmo ano ele disputou as eleições gerais e foi reconduzido ao Governo com o voto de 404.484 tocantinenses.

Afastado do Governo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em outubro de 2021 sob acusação de corrupção e interferência na Polícia Civil para barrar investigações sobre sua gestão, Carlesse foi denunciado na Assembleia Legislativa pelo advogado Evandro de Araújo de Melo Júnior, com pedido de abertura de um processo de impeachment para apurar as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal com base em investigações da Polícia Federal que levaram o STJ a afastá-lo do Governo. O pedido foi aceito pelo presidente da Aleto, deputado Antonio Andrade, que nomeou uma Comissão Especial para conduzir o processo. Mauro Carlesse tentou de várias formas barrar o processo de impeachment, primeiro escondendo-se para não ser notificado, depois recorrendo à justiça, em vão.

E o processo tramitou na comissão especial e no Plenário com uma agilidade nunca vista no parlamento tocantinense. Até que no último dia 10, os 24 deputados estaduais aprovaram em primeiro turno o parecer do relator e o decreto legislativo da comissão favoráveis à abertura do processo de impeachment contra o governador afastado.

Carlesse ainda tentou reverter a decisão da justiça e suspender a sessão que decidiria em segundo turno de votação se ele deviria ser julgado por um Tribunal Misto a ser formado por cinco desembargadores indicados pelo Tribunal de Justiça do Tocantins e cinco deputados estaduais eleitos entre eles. Acuado pelas decisões tanto dos seus antigos aliados no parlamento quanto da justiça, ele renunciou ao mandato na última sexta-feira, 11, oportunizando assim, ao então vice-governador Wanderlei Barbosa concluir o mandato.

A posse de Wanderlei Barbosa, o segundo tocantinense genuíno a assumir o governo do estado – o primeiro foi Raimundo Boi, em 1998, com a renúncia de Siqueira – o brilho nos olhos e a esperança dos ‘curraleiros’ nativos é latente, bem como a expectativa de que ele faça um governo pautado pela ética, honestidade, e sobretudo, com justiça social.

Eleições

É sabido que a movimentação política para as eleições de outubro dependia muito do desenrolar sobre a permanência de Wanderlei Barbosa no Governo. Agora, com sua posse definitiva o cenário para as eleições gerais começa a tomar forma. Com a filiação de Wanderlei ao Republicanos e a chamada ‘janela’, que permite aos políticos mudarem de partido sem o risco de perderem mandatos, a expectativa é de que alguns deputados estaduais, prefeitos e vereadores migrem para a sigla.

A formação das alianças partidárias em torno dos pretensos candidatos a ocupar a cadeira principal do Palácio Araguaia também já começa a despontar no cenário.

Conforme anunciou em seu discurso de posse, o governador Wanderlei pretende disputar a reeleição, e em torno dele já gravitam o PP da senadora Kátia Abreu e do deputado federal Vicentinho Alves, além do PSD do senador Irajá Abreu e o PDT de Laurez Moreira. A expectativa é de que o União Braasil da deputada Professora Dorinha também caminhe com Wanderlei. Certamente outras legendas marcharão com o Republicanos.

A possível aliança entre Wanderlei Barbosa e Kátia Abreu praticamente descarta qualquer possibilidade de aproximação com o MDB de Marcelo Miranda e Eduardo Gomes. O partido que historicamente, pela força de sua militância sempre carreia cerca de 30% dos votos no Tocantins, ao que tudo indica, cairá no colo de Ronaldo Dimas, um dos pretensos candidatos a governar o estado. Dimas está filiado ao Podemos mas ensaia ir para o PL do presidente Bolsonaro pelas mãos do senador Eduardo Gomes, líder do Governo no Congresso Nacional. Livre da possibilidade da federação com o PT, o PSB de Carlos Amastha, conforme os bastidores, também deve se aliar a Ronado Dimas.

Anunciada pelo Partido dos Trabalhadores, a candidatura de Paulo Mourão é dada como certa. Com ele deverão caminhar, conforme a federação formada a nível nacional, PV e PC do B.

Até aqui, tudo não passa de especulações; o certo é que daqui pra frente as articulações em busca de alianças se intensificarão e muita coisa pode mudar. Nós seguiremos de olho.