Uma vaga: disputa pelo Senado ensaia ser a mais concorrida no Tocantins

  • 05/Apr/2022 10h58
    Atualizado em: 05/Apr/2022 às 11h07).

*Por Joana Castro

O ditado popular garante: “política não se discute”. A questão é tão séria que muitos tocantinenses evitam até abordar o tema, mas se tem uma coisa que ninguém discorda é que a nossa política é um tanto quanto peculiar e os cenários mudam na velocidade da luz. Com o fim da janela partidária e algumas movimentações, ainda que cautelosas, ousamos fazer um diagnóstico do cenário que começa a se desenhar para o processo eleitoral.

Resultado: muito cacique para pouco índio!

O Senado Federal será a vaga mais disputada e até agora são, no mínimo, seis pré-candidatos para concorrer a uma única vaga. Também não é para menos, pois já dizia Darcy Ribeiro, “O Senado é melhor do que o paraíso, porque para chegar lá não é preciso morrer”. São oito anos de mandato, o que possibilita “respirar” entre uma campanha e outra, sem contar as regalias, um maior orçamento se comparado aos demais legislativos e principalmente sem a responsabilidade de administrar.

Mas voltemos ao cenário tocantinense. Com tantos pré-candidatos surge a dúvida: existirá majoritária suficiente para agregar todos eles? Afinal, a disputa do cargo ao Senado exige no mínimo a composição de uma chapa com candidatos ao governo, deputados federais e estaduais. Vivemos hoje uma polarização dos grupos (governo e oposição), mas este é um assunto para um outro artigo. A vaga ao Senado tem agitado os bastidores da política tocantinense. Alguns nomes já são ventilados, poucos se manifestaram oficialmente sobre o assunto, mas certamente ocupar aquela cadeira é um desejo de todos eles.

Professora Dorinha

Com o argumento de que tem o apoio dos prefeitos, a deputada federal Professora Dorinha (UB) saiu na frente. Além de se afirmar pré-candidata ao Senado, a presidente do União Brasil no Tocantins se movimenta para encorpar a proposta. A exemplo disso são as redes sociais, onde já iniciaram vários depoimentos, uns contados em versos e prosas, sobre sua trajetória. Professora efetiva, Dorinha foi secretária da Educação, cargo este que lhe deu suporte para galgar à Câmara Federal, onde está há 12 anos. Com boa capilaridade no interior do Estado, a deputada tem sido assediada por nomes de peso como do senador Eduardo Gomes (PL).

Kátia Abreu

Nome certo em busca de uma reeleição, a senadora Kátia Abreu (PP), espera contar com o apoio de Lula (PT), pré-candidato à presidência da República, mas já é certo que a parlamentar vai compor a chapa com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Logo, temos um impasse, pois tudo indica que Barbosa apoia a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Assim como em toda família, não seria diferente nos grupos políticos, afinal opiniões divergentes fomentam o debate, não é mesmo?!

Marcelo Miranda

Muito querido pelos tocantinenses, o eterno governador Marcelo Miranda (MDB), tem alguns desafios a serem vencidos. Com uma situação jurídica indefinida e no comando da Sigla no Estado, a janela partidária não foi nada favorável ao MDB no Tocantins, que perdeu nomes como o de Valdemar Júnior e Jair Farias. Miranda precisa de grupo e ao que tudo indica, está cada vez mais disperso, já que o namoro com o pré-candidato Ronaldo Dimas não rolou e o governadoriável acabou optando pelo PL.

Vale lembrar que Marcelo Miranda foi eleito em 2010, para o Senado Federal, mas impedido de tomar posse porque seus direitos políticos estavam suspensos. Hoje, o político tenta viabilizar segurança jurídica para garantir uma eventual posse no Senado em 2023.

Ataídes Oliveira

Quem já se pronunciou a respeito da pré-candidatura foi o ex-senador Ataídes Oliveira (Pros). Ele divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual afirma declinar da pré-candidatura ao Governo do Estado para se lançar ao Senado. Suplente do senador João Ribeiro, com sua morte, Ataídes Oliveira ocupou de 2013 a 2019, a cadeira no Senado Federal.

Mauro Carlesse

Afastado do Executivo Tocantinense, em outubro de 2021, Mauro Carlesse renunciou ao mandato em março deste ano. Articulação esta que lhe concede a permanência de todos os direitos políticos. Mesmo diante da situação pelo qual se desvinculou do Palácio Araguaia e inúmeras suspeitas de desvio de recurso público, o ex-governador afirma ser inocente e nos últimos dias deixou o União Brasil e passou a integrar o AGIR, onde buscará ocupar uma cadeira no Senado.

Vanderlei Luxemburgo

E por último, mas não menos importante temos o recém-filiado ao PSB, o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo. Dono de uma emissora de TV no Tocantins, o pré-candidato apresenta um programa sobre a cultura e belezas naturais do Estado e na tentativa de tornar-se conhecido tem utilizado desta ferramenta para visitar os 139 municípios.

Federação Nacional

Neste impasse, o PT do governadoriável Paulo Mourão, segue em silêncio aguardando o fechamento da Federação da Nacional para, a partir daí, começar a articular com os demais partidos indicações para o cargo ao Senado. A Federação nada mais é do que a união de partidos políticos que permite às legendas atuar de forma unificada em todo o país, podendo inclusive compartilhar o Fundo Partidário. É bom lembrar que até o dia 05 de agosto, prazo final para a indicação dos candidatos, muita água vai rolar debaixo dessa ponte e nomes podem ser redefinidos.