Prova de fogo: Eleição de outubro será o termômetro para medir liderança de Eduardo Gomes no Tocantins

  • 13/Jun/2022 17h10
    Atualizado em: 13/Jun/2022 às 17h26).

*Por Joana Castro

Prego batido e ponta virada! Em entrevista ao Portal CT, o senador Eduardo Gomes (PL) colocou fim aos rumores de que poderia ser ele o candidato ao Governo do Tocantins. Durante um evento que aconteceu em Araguaína, em novembro de 2021, Gomes declarou seu apoio ao pré-candidato Ronaldo Dimas (PL) e de lá para cá vem reforçando esta decisão, tanto que Dimas filiou-se ao PL depois que a Sigla passou a ser comandada pelo senador, mas como se sabe, em política tudo pode acontecer e diante do clamor de lideranças municipais acreditava-se que o senador poderia encabeçar uma majoritária.

Acontece que hoje, independente de ser aliado ou não de Eduardo Gomes, ninguém discorda da força do político no cenário tocantinense e nacional. Líder do Governo no Congresso Nacional, o parlamentar tem feito um bom trabalho junto aos municípios tocantinenses, a exemplo disso são a Calha Norte e a Codevasf, que têm trazido resultados significativos para o Estado e seus municípios. Como se não bastasse, a experiência de Eduardo Gomes lhe permite transitar com maestria em vários grupos, obtendo o mínimo de adversários. Neste cenário, com as “bênçãos” dos gestores municipais, sua candidatura ao Governo do Tocantins soa como natural e com significativo potencial de vitória.

Teste Drive

Mas Eduardo Gomes optou por seguir no Senado Federal e escolheu Ronaldo Dimas como o seu candidato. Gestor reeleito em Araguaína e tendo feito seu sucessor, o ex-prefeito deixou a prefeitura com alto índice de aprovação, mas isto por si só não é suficiente. Este processo eleitoral é acima de tudo uma oportunidade para Gomes testar a sua liderança política nos municípios. Sabemos que os apoios são fundamentais para o resultado de um processo eleitoral, mas Eduardo Gomes teria condições para transferir mais da metade dos votos que seriam destinados a ele para Ronaldo Dimas? Afinal, Dimas não é Eduardo, não é tão conhecido no Tocantins quanto o senador e certamente se esbarra em alguns obstáculos que Eduardo certamente não teria.

Rejeição de Dimas

Pesquisas apontam que dentre os pré-candidatos ao Governo do Tocantins, Ronaldo Dimas é o menos rejeitado pela população tocantinense. O índice não ultrapassa os 20%, o que de certa forma é um ponto positivo na corrida ao Palácio Araguaia, mas também é um dos menos conhecido - 27% do eleitorado desconhece a sua trajetória de vida. Até aí tudo bem, se não fosse a rejeição do pré-candidato no cenário político tocantinense. Os prefeitos continuam cobiçando por Eduardo Gomes e recusando qualquer aliança com Ronaldo Dimas. Neste contexto, o senador terá trabalho dobrado.

Além da rejeição, outro fator que deve ser considerado é que este ano 1.078.836 tocantinenses estão aptos a irem às urnas escolherem seus representantes. Comparado ao processo eleitoral de 2020, são quase 40 mil novos eleitores. Neste contexto, o Estado mais novo da federação caminha para que um provável segundo turno possa acontecer, pois além de Ronaldo Dimas e Wanderlei Barbosa, dois outros bons nomes estão no páreo: o deputado federal Osires Damaso (PSC) e Paulo Mourão (PT) apresentam-se como pré-candidatos na disputa ao Palácio Araguaia, diminuindo a possibilidade de que qualquer um destes candidatos consigam mais de 50% dos votos no primeiro turno.

Legislação Eleitoral

Conforme a legislação eleitoral, daqui a 20 dias, uma série de ações ficam expressamente proibidas, dentre elas o ato de nomear e exonerar as pessoas que exercem cargos em comissão. E esta é a grande aposta de Eduardo Gomes, que acredita que parte do apoio ao seu pré-candidato ainda não foi divulgado para evitar possíveis retaliações por parte do Governo Wanderlei Barbosa (Republicanos).

O deputado federal Tiago Dimas (Podemos), filho de Ronaldo Dimas usou a Tribuna na Câmara dos Deputados para denunciar o elevado gasto do Governo do Tocantins com pessoal, se comparado ao ano anterior. O parlamentar questionou se este aumento não seria uso da máquina pública em favor do gestor do Estado, que também é pré-candidato à reeleição.

Somados aos contratos temporários, temos os servidores efetivos, uma vez que nem todos obviamente, apoiam Wanderlei Barbosa, assim como alguns prefeitos que ainda não manifestaram sobre os projetos de quem irão defender; mas ainda assim, Gomes teria o número suficiente de apoios para formar um grupo consolidado que daria para Ronaldo Dimas à vitória?

Independente de quem são os candidatos, uma coisa podemos afirmar: o processo eleitoral de 2022 será o termômetro para Eduardo Gomes confirmar o índice de sua liderança no Tocantins.