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O Pará deverá perder,
em 2008, cerca de
15% do valor de sua
receita em função das reduções
de recursos provenientes
do fim da Contribuição
Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF),
cuja prorrogação foi rejeitada
pelo Senado Federal.
De acordo com o secretário
da Fazenda, José Raimundo
Barreto Trindade,as perdas
deverão alcançar cerca de
R$ 450 milhões em transferências
da União no próximo
ano, devido a extinção
do chamado imposto do
cheque.
Em níveis atuais, a receita total
mensal paraense gira hoje em
torno de R$ 710 milhões, sendo
R$ 330 milhões em receitas próprias
e R$ 380 milhões em receitas
transferidas. Trindade assegurou,
no entanto, que não há comprometimento
da arrecadação
própria para 2008, mas a perda
da CPMF vai exigir correções no
orçamento do próximo ano. O
assunto será discutido na próxima
segunda-feira, dia 17, pela
Junta de Orçamento do Governo.
‘Uma das providências imediatas
que o Estado vai tomar é estancar
qualquer perda de valor
adicional além dessa. “Frente a
este quadro, vamos retirar da Assembléia
Legislativa o projeto de
lei que concederia a isenção de
Imposto sobre Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA)
para carro zero, que estávamos
propondo que passasse a vigorar
em 2008”, anunciou. A Sefa também
sinalizou que não há mais
como conceder a redução sobre
a alíquota de combustível, um
dos assuntos que estava em estudo,
disse Trindade.
Outra providência que o Pará
vai tomar é rever a Lei Orçamentária
Anual (LOA) para fazer cortes
no orçamento. ‘Todos os estados
vão fazer isso. A decisão tomada
pelo Senado teve fundo
político, eleitoreiro, sem medir
as conseqüências para os estados
e a União. Esta decisão leva a um
quadro de incertezas’.
O secretário de Desenvolvimento
Econômico, Ciência e
Tecnologia, Maurílio Monteiro
considera que a votação representou
o interesse dos mais ricos,
que temem a CPMF como controle
de grandes movimentações
financeiras. “A votação foi um
desrespeito, principalmente, à
população mais pobre, que tanto
necessita desses recursos”, ressaltou
o secretário.
O presidente do Banco do Estado
do Pará (Banpará), Edílson
Souza, também reagiu à decisão
do Senado. Ele disse que ficou
claro no episódio que os interesses
políticos se sobrepuseram ao
interesse nacional. “Como esse
dinheiro é destinado à população
mais pobre, e nós estamos na região
mais carente do Brasil, seremos
muito prejudicados pela
medida. Deveria haver uma tentativa
de negociar o fim progressivo
da CPMF ou outra saída. Essa
quebra brusca de arrecadação vai
ser muito prejudicial. Mas, de
qualquer forma, nos resta trabalhar
para amenizar os danos”,
disse ele.
A governadora do Pará, Ana
Júlia Carepa, também criticou a
o resultado da votação no Senado
que impediu a prorrogação da
CPMF. Ela se referiu à votação
como um ‘atentado’ ao povo brasileiro
e ao povo do Pará. Ana Júlia
disse que os senadores que
votaram contra a prorrogação da
CPMF devem ser responsabilizados
pelas conseqüências dessa
medida. Mas, ressaltou que o governo
não vai ficar parado e vai
trabalhar para amenizar os impactos
da perda orçamentária
para a saúde
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